Acidente no Rio Hudson pode trazer respostas para o acidente com o voo AF477 da Air France.
Por George Hatcher
Se há algo que se destaca nas últimas declarações da NTSB[1] [sobre o Airbus A320 da US Airways que fez um pouso de emergência no Rio Hudson] é a exaltação e admiração pela tripulação, cujo reflexo rápido, profissionalismo e frieza salvaram as vidas de todos a bordo.
A NTSB não é assim tão positiva quando se refere à Airbus, fabricante da aeronave envolvida no acidente. Leia um resumo do relatório exarado aqui [http://airflightdisaster.com/?page_id=9593]
O manual não trazia uma lista de checagem apropriada para o que aconteceu e alguns procedimentos eram tão meticulosos que não puderam ser realizados.
A entrada de pássaros no motor é raramente tão dramático, principalmente porque isso é algo que raramente ocorre ao mesmo tempo nos dois motores. As circunstâncias permitiram que os especialistas examinassem a causa e os efeitos sobre o avião, de modo que algumas conclusões surpreendentes foram alcançadas. Certamente mais que as que eu aqui menciono.
Algumas delas, naturalmente, poderiam ter sido aplicadas ao voo 447 da Air France... se este tivesse aterrissado intacto (apesar de apenas supormos que ele não chegou intacto ao mar).
Que os instrumentos na cabine não refletiam com precisão a situação dos motores.
Será que os pilotos do AF 447 também não tinham informações precisas sobre as condições dos motores?Acreditamos que não. Como um piloto, enfrentando uma tempestade no meio do Atlântico, com seus sensores de velocidade inoperantes, consegue saber o que os motores controlados por computador estão fazendo, se o sistema operacional não lhe diz que algo está errado?A resposta é: ele não consegue.
Que a taxa de descida no manual não condiz com a realidade (o manual informa uma taxa de 1 metro por segundo, bastante segura, enquanto que, na realidade, são 4 metros por segundo, o que causa danos).
Apesar de não termos informações sobre a taxa de descida do AF447, parece provável que os pilotos também não tinham. Além do mais, não era o Sully[2] que estava descendo/planando com o 447. Na eventualidade de ele ter descido inteiro, isso provavelmente se deu a uma alta taxa de descida, de modo que os pilotos só tiveram ciência da situação quando já era muito tarde.
Que, no acidente do Rio Hudson, os escorregadores não propiciavam flutuação, as asas não flutuavam e não traziam balsas de emergência, embora os passageiros estivessem se amontoando lá.
No acidente do Rio Hudson, os passageiros subiram nas asas, esperando haver dispositivos de flutuação. Felizmente, o resgate chegou antes de eles afundarem. Não havia balsas de emergência. Se os passageiros do voo da Air France tivessem sobrevivido à amerissagem e saído do avião, teriam sido capazes de chegar às balsas? Cremos que não. Trata-se, logicamente, de uma questão controversa, pois duvidamos que eles tivessem sobrevivido ao impacto na água, resistisse ou não o avião intacto.
Considerando que a NTSB declarou que o manual da Airbus e inadequado e incondizente com a realidade, a afirmação da Airbus, com relação ao acidente no Rio Hudson, de que “a pista 13 do Aeroporto de LaGuardia era tecnicamente adequada, no que diz respeito à performance de voo de uma aeronave” parece igualmente incondizente com a realidade. Na verdade, a Airbus teve muita audácia em fazer um elogio pseudo-panglossiano ao comandante Sully por ter corretamente levado em conta a alta urbanização das cercanias do aeroporto. A essa altura, qualquer declaração da Airbus é extremamente suspeita.
A essa altura, eu considero a Airbus “teoricamente adequada”, mas altamente duvidosa.
[1] Agência norte-americana responsável pela investigação de acidentes aéreos. [2] Piloto que aterrissou no Rio Hudson.